Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, quinta-feira, 27 julho de 2017

O ESPÍRITO ENVELHECE? - Pai Caco de Xangô

 Final de uma gira de pretos-velhos e a médium já antiga de casa, após a incorporação dos eres, pergunta para sua Mãe-Pequena:

- Mãe, o espírito envelhece?
Sabiamente a Mãe-Pequena responde:
- Não, o espírito evolui. Por que a pergunta?
- É que a Nina veio mais calma, menos chorona. Parecia mais velha.

 Esta pequena passagem de final de gira nos permite uma grande reflexão. Vivemos num mundo de formas e impermanência. Tudo tem uma forma, porém tudo envelhece, tudo muda, nada é permanente. Começamos a envelhecer no momento em que nascemos. A matéria envelhece. Nada resiste a ação do tempo. Entretanto o espírito não é matéria, pelo menos não da forma como conhecemos e, portanto, não fica sujeito a ação do tempo. Outro dia publiquei um artigo chamado “Teoria da Vida Eterna” no qual procurei deduzir de maneira lógica a afirmação do Pai Maneco de que o tempo no espaço não existe. Comprovada esta afirmativa, fica fácil entender por que o espírito não envelhece. Simplesmente porque ele não está sujeito à ação do tempo, mas se ele, o espírito, existe e não envelhece então deduzimos que ele evolui. Brilhante nossa Mãe-Pequena na simplicidade de sua resposta.
 Então, como explicar a mudança de comportamento do ere, que antes se apresentava sempre chorona e agora vem com uma roupagem diferente? Parece-me que isto está muito mais relacionado à evolução do médium do que propriamente a evolução do espírito. Alguns meses ou até anos no tempo da Terra nada significam para a evolução do espírito, entretanto muito representam para o desenvolvimento do médium. Alguns anos de assiduidade, disciplina, observações, estudos, pesquisas, troca de informações, debates, transformam um médium. É o preparo que faz a diferença. Considerando que a mediunidade está presente em todos os seres encarnados variando apenas em grau, aqueles que desejarem com fervor desenvolver este dom e forem perseverantes em seu preparo, certamente conseguirão resultados significativos. A isto chamamos de “desenvolver a mediunidade”. Participar ativamente dos trabalhos no terreiro, observar com atenção os fenômenos que ocorrem na gira, aprofundar-se nos mistérios da mediunidade por meio de leitura sadia e acima de tudo, afinizar-se com o mundo espiritual criando em torno de si um clima de respeito, pureza de pensamentos e boas intenções, suprimindo qualquer sentimento de orgulho ou vaidade, são fatores que nos aproximarão dos seres espirituais pela afinidade de pensamentos e desejos. Esta aproximação será comprovada por intuições mais objetivas, boas incorporações, comunicações sadias, consultas proveitosas e caracterizarão o médium hoje, muito mais desenvolvido do que há alguns anos atrás. O médium envelheceu, mas também evoluiu e as incorporações jamais serão as mesmas, pois a entidade terá no médium muito mais subsídios para o bom trabalho do que quando este não tinha dentro de si o conhecimento necessário para bem servir aos espíritos.
 Um espírito elevadíssimo poderá manifestar-se através de um médium ignorante, porém encontrará dificuldades imensas para comunicar-se por meio dele. Espíritos elevados requerem médiuns elevados em cultura, conhecimento e sentimentos. Para adquirir cultura e conhecimento é fácil, basta força de vontade. Para elevar o sentimento é difícil, pois é preciso MUITA força de vontade e dedicação. Infelizmente devo advertir aos médiuns que a elevação dos sentimentos é o fator mais importante para o desenvolvimento mediúnico. Qual o caminho para a elevação? A caridade tal qual definida na questão 886 do Livro dos Espíritos: benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão às ofensas.
 Pratiquemos meus irmãos. Estou nessa também e certamente nos tornaremos médiuns melhores, seres humanos melhores.

 E, se um dia Ana, alguém te perguntar:

- Mãe, o espírito pensa?
Responda com a mesma simplicidade.
- Não, o espírito é o pensamento.

Axé
Pai Caco de Xango
 

Bandeira da Amizade