Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 17 novembro de 2017

Ritual TPM

Fazemos a saudação aos Orixás Oxalá, Ogum, Iemanjá, Oxum, Xangô, Iansã e Oxossi e também às entidades que trabalham na Casa.

Sem nenhuma dúvida quase cada terreiro de Umbanda cria o seu próprio ritual, regras e filosofia de trabalho. Quando iniciamos nossos trabalhos tivemos que montar o nosso. Baseados no ritual ensinado em um excelente disco 33 rotações cantado pelo pai-de-santo Carlos Buby, copiamos nosso ritual.

Hoje ele não está muito diferente embora tenham sido introduzidos novos pontos criados pelass entidades do terreiro. Devemos entender que o ritual não é só o obedecido no inicio das giras, mas todo o comportamento ético e respeitoso que temos com as entidades e entre nós, os médiuns. Mas, neste texto, vamos explicar o começo de uma gira até o seu encerramento. Servirão para mostrar que tudo deve ser aberto e sem segredos. Claro que muita coisa pessoal está alicerçada nesses fundamentos. Em formação de duas linhas os médiuns entram no terreiro cantando o Hino da Umbanda.

A roupa é branca, mas não é uniformizada. As camisas masculinas e blusas femininas não são iguais. Mas são todas brancas. Preferencialmente não se deve usam sapatos com sola de borracha para evitar o corte da corrente médium-terra. Pés descalços ou solas de corda são comuns. Após o Hino da Umbanda cantamos uma musica chamada A Grande Luz, uma linda canção de autoria de Roberto Stanganelli (falecido há mais ou menos 3 meses), Francisco Barreto e Ari Guardião.

Feito isso passa-se ao ritual do bate à cabeça, onde o médium, com a testa no chão, reverencia todo o povo da Umbanda. São saudados nossos Anjos da Guarda, com ponto de autoria das entidades da nossa casa. Após esse ritual abre-se a gira oficialmente com o Pai Nosso e, em nome de todas as entidades da Casa, abre-se a gira em ponto com letra e musica também das entidades de nosso terreiro e, em seguida, com a mesma origem musical, saudamos nossa engoma e uma entidade chamada Ogam Kaian, que é o espírito protetor de todos os nossos músicos. Fazemos a saudação aos Orixás Oxalá, Ogum, Iemanjá, Oxum, Xangô, Iansã e Oxossi e também às entidades que trabalham na Casa. Em seguida pedimos a proteção ao Exu Guardião, da linha Tranca Ruas.

Como todos os alguidares dos médiuns da Casa estão à vista, cantamos um ponto feito em nosso Terreiro saudando o pai-de-cabeça de cada membro e, sem interrupção, chamam o Caboclo Akuan que comanda a gira de Ogum. Nessa ocasião só existia a gira que se iniciou sob nosso comando e em sua fundação. Hoje mais seis giras trabalham em nosso terreiro e a única alteração é que os Orixás dos pais e mães-de-santo são diferentes e as saudações são feitas a cada um. Todas as giras, sob o nosso comando, são abertas e trabalham na primeira parte os Oguns. Depois disso é que se chama a linha que vai trabalhar na noite e dão as consultas e atendimento ao público e obedecem a essa ordem: caboclos, boiadeiros ou ciganos, preto-velhos, e esquerda.

Todas as giras tem inicio às 20:00 e encerram-se as 24:00 horas. Muita gente pergunta qual a razão do encerramento ser a meia-noite. Levanta-se a questão se é alguma razão astral. Não, não tem nada com a parte astral, principalmente porque lá o tempo não existe. É porque no dia seguinte os médiuns e freqüentadores do terreiro têm seus compromissos profissionais e suas vidas comuns devem continuar sem o cansaço normal da noite anterior.

Bandeira da Amizade